Principais Insights da Versão Final do Guia Computer Software Assurance (CSA) da FDA

A versão final do guia Computer Software Assurance (CSA) da FDA (fevereiro de 2026) não introduz novos regulamentos, mas esclarece e moderniza o draft publicado em 2022.

Listamos abaixo 5 principais insights desta atualização:

1. Quais são as principais mudanças no guia CSA final da FDA (2026)?

O guia CSA final esclarece, em vez de substituir, o draft de 2022. As principais atualizações incluem: uma nova seção de definições, incluindo modelos de cloud como SaaS, PaaS e IaaS; Inclusão explícita de sistemas baseados em IA/ML; Expectativas mais claras sobre evidências de cibersegurança; Orientações sobre quando o 21 CFR Part 11 se aplica; Expansão das recomendações de supervisão de fornecedores; Um novo exemplo de sistema PLM (Product Lifecycle Management) baseado em SaaS; A versão final reforça a importância da garantia baseada em risco, do uso de registros digitais e da gestão estruturada de mudanças.

 

2. O guia CSA final exige validação de ferramentas SaaS e baseadas em cloud?

Sim. Quando ferramentas cloud ou SaaS impactam o sistema da qualidade, o produto, a segurança do paciente ou registros regulados, elas estão dentro do escopo do CSA. Se a ferramenta estiver fora do Sistema da Qualidade (por exemplo, uso puramente administrativo), pode não exigir validação. O guia enfatiza que o escopo deve ser determinado com base em uma avaliação de risco.

 

3. Como o guia final aborda a conformidade com o 21 CFR Part 11?

A FDA esclarece que o foco da validação deve ser baseado em risco e vinculado à integridade dos registros. Os fabricantes devem concentrar as atividades de garantia nas funções que afetam: Registros eletrônicos; Trilhas de auditoria (audit trails); Assinaturas eletrônicas; Integridade dos dados. Registros digitais nativos, como logs e audit trails, são aceitos como evidência objetiva, reduzindo a dependência de capturas de tela ou documentação em papel.

 

4. O guia CSA final incentiva o uso de logs e audit trails como evidência de validação?

Sim. O guia CSA final da FDA apoia o uso de registros digitais nativos, como: logs do sistema; trilhas de auditoria; outros dados gerados e mantidos pelo software. Esses registros podem ser utilizados como evidência objetiva de garantia. Isso reduz a necessidade de documentação manual ou duplicação de evidências que já existem no sistema.

Ao utilizar registros digitais como evidência, os fabricantes devem garantir que esses registros sejam: adequados ao uso pretendido; precisos e autênticos; avaliados dentro de uma abordagem baseada em risco

 

5. O que a FDA espera em relação à avaliação de fornecedores de software?

O guia CSA final inclui uma subseção dedicada à avaliação de fornecedores. Ele recomenda avaliar: postura de cibersegurança do fornecedor; práticas de desenvolvimento; certificações; documentação técnica. Reconhecendo que os fabricantes frequentemente têm acesso limitado aos fornecedores, a FDA incentiva o uso de: avaliações remotas; relatórios SOC; SBOMs (Software Bill of Materials); revisões de certificações e acreditações.

Tabela Comparativa: Draft CSA 2022 vs Versão Final 2026

 

Tema Draft 2022 Versão Final 2026
Escopo e objetivo Introduziu a mudança de CSV para CSA baseado em risco. Reorganiza e expande o conteúdo, reforçando o modelo baseado em risco.

Seção de definições

Nenhuma seção formal: termos relacionados a cloud referenciados de forma geral.

Nova seção com definições explícitas para SaaS, PaaS, IaaS e modelos de implantação em cloud.

AI/ML Referência genérica. IA/ML explicitamente incluído como tecnologia que requer garantia baseada em risco.
Requisitos de cibersegurança Cibersegurança referenciada de forma limitada; sem expectativas claras. Forte ênfase em evidências de cibersegurança: relatórios SOC, SBOMs e documentação de segurança do fornecedor.
21 CFR Part 11 Clareza limitada sobre como o Part 11 interage com CSA. Aplicação baseada em risco, com foco na integridade dos registros; incentiva o uso de registros digitais nativos em vez de screenshots.
Avaliação de fornecedores Menciona superficialmente. Nova subseção: auditorias de fornecedores, certificações, práticas de desenvolvimento, postura de cibersegurança e avaliações remotas.
Evidência digital Incentivados, mas não enfatizados. Forte recomendação para uso de logs digitais, trilhas de auditoria e evidências de testes automatizados.
Examplos 3 exemplos. Apêndice expandido + novo Exemplo 4 para PLM baseado em SaaS com atualizações automáticas.
Gestão de mudanças regulatórias Referências gerais sobre expectativas de documentação. Orientações sobre quando mudanças exigem notificações em 30 dias versus relatórios anuais.
Atualizações SaaS Pouco detalhadas. Orientação explícita sobre como lidar com releases em cloud, atualizações de fornecedores e entrega contínua.

 

Atualizações Automáticas em SaaS segundo o CSA da FDA

O que a FDA incentiva e como implementar

O guia CSA final reconhece que muitos sistemas de produção e qualidade são fornecidos como SaaS e recebem atualizações automáticas.

No exemplo apresentado, a FDA estabelece que o fornecedor SaaS deve fornecer documentação contendo:

  • Descrição da atualização
  • Testes realizados
  • Resultados dos testes relevantes ao uso pretendido pelo fabricante

O fabricante deve então:

  • Avaliar o impacto potencial da mudança
  • Executar testes de garantia baseados em risco, quando necessário
  • Manter registros da avaliação de risco e das atividades realizadas

Essa abordagem está alinhada com o objetivo do CSA: garantir que o software seja adequado ao uso pretendido, sem gerar carga regulatória desnecessária.

Como a FIVE Validation apoia essas
boas práticas de atualizações automáticas (CSA)

No GO!FIVE®, os clientes podem manter um histórico estruturado e pronto para inspeção das atualizações por meio de:

  • Captura de evidências fornecidas pelo fornecedor (release notes, resumos de mudanças, resultados de testes)
  • Avaliação de impacto documentada para cada atualização
  • Execução de testes de garantia baseados em risco, focados apenas nas mudanças relevantes
  • Manutenção de todo o histórico em um único ambiente controlado, com rastreabilidade completa

Isso garante supervisão eficiente e prontidão para auditorias.

Em outras palavras, a FIVE Validation permite implementar o modelo destacado pela FDA: evidência do fornecedor + avaliação de impacto pelo fabricante + testes baseados em risco + manutenção de registros estruturados

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Artigo escrito por

Lílian Ribeiro

Lílian Ribeiro é engenheira química, tecnóloga em sistemas biomédicos e possui pós-graduação em Sistemas de Gestão Integrado e em Data Science e Business Analytics. Ela possui mais de uma década de experiência técnica e comercial nas indústrias de alimentos, farmacêuticas e de saúde. Como defensora da validação sem papel, Lílian é entusiasta em introduzir eficiência e inovação nas empresas de ciências da vida. Sua experiência é fundamental em projetos de validação e qualificação, abrangendo validação digital, ERP, EQMS, automação (PW) e qualificação de infraestrutura de TI.

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Artigo revisado por

Silvia Martins

Silvia é uma engenheira elétrica brasileira e empreendedora com mais de 23 anos de experiência na indústria de Ciências da Vida, atuando nos setores de biotecnologia, farmacêutico, dispositivos médicos e cosméticos.

Possui experiência internacional com treinamento especializado em GAMP5® e FDA 21 CFR Part 11 na Inglaterra, validação de SAP® na Alemanha e integridade e governança de dados na Dinamarca. Residente na Holanda, Silvia atua como CEO e cofundadora da FIVE Validation, uma empresa dedicada a simplificar a conformidade regulatória. Ela é a visionária por trás do GO!FIVE®, a plataforma digital de validação, e também é responsável pelo conteúdo da plataforma de treinamento FIVE Academy

Seu trabalho se concentra em acelerar e otimizar processos com robustez, rastreabilidade e conformidade, apoiando empresas na integração da cultura ESG, especialmente nos pilares Social (S) e Governança (G). Além de sua atuação corporativa, Silvia também está disponível para conectar empresas de qualquer lugar do mundo com a Pastoral do Menor de Sorocaba, no estado de São Paulo, Brasil, uma instituição alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e reconhecida por seu impacto social, beneficiando diariamente mais de 1.400 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.