Validação e Sustentabilidade

Por que o draft da OMS reforça a urgência da validação digital na indústria farmacêutica

A sustentabilidade ambiental também passa pela forma como validamos

A sustentabilidade ambiental está deixando de ser apenas um tema de ESG na indústria farmacêutica.

Com a publicação do draft WHO/QAS26.998 – Points to Consider on Integration of Environmental Sustainability Strategies and Metrics into Pharmaceutical Manufacturing, a Organização Mundial da Saúde sinaliza uma direção importante: estratégias e métricas ambientais devem ser cada vez mais integradas à manufatura farmacêutica, ao Sistema da Qualidade Farmacêutico e à tomada de decisão baseada em dados.

Na sigla OMS/QAS, o termo QAS refere-se a Quality Assurance and Safety of Medicines,  Garantia de Qualidade e Segurança de Medicamentos. Esta é a área técnica da Organização Mundial da Saúde relacionada à definição de normas, diretrizes e padrões globais para qualidade, segurança e eficácia de produtos farmacêuticos. A OMS também descreve GMP/BPF como parte da garantia da qualidade que assegura que medicamentos sejam produzidos e controlados de forma consistente conforme padrões apropriados ao uso pretendido.

Mas existe um ponto que muitas empresas ainda não estão olhando com a devida atenção:

A validação em papel também faz parte do problema ambiental.


 

Protocolos impressos, execuções manuais, anexos físicos, assinaturas em papel, escaneamentos, arquivos físicos, múltiplas revisões e retrabalho documental ainda fazem parte da rotina de muitas áreas de Qualidade, Validação, Engenharia, Operações e IT.

Se a indústria farmacêutica quer levar sustentabilidade a sério, a pergunta não deve ser apenas:

“Como reduzir energia, água, solventes e resíduos na fábrica?”

A pergunta também precisa ser:

“Por que ainda validamos processos, equipamentos, utilidades e sistemas de forma manual, lenta e intensiva em papel?”

O que a OMS está propondo?

O draft WHO/QAS26.998 propõe a integração de estratégias e métricas de sustentabilidade ambiental à manufatura farmacêutica.

O documento menciona indicadores como:

  • consumo de energia;
  • consumo de água;
  • uso e recuperação de solventes;
  • geração de resíduos;
  • emissões;
  • pegada de carbono;
  • métricas como PMI, E-Factor e emissões Scope 1, 2 e 3.

A OMS deixa claro que essas iniciativas devem ser conduzidas de forma prática, proporcional ao risco e sem comprometer qualidade do produto, segurança do paciente, integridade de dados, rastreabilidade, conformidade regulatória ou continuidade de abastecimento.

Em outras palavras: sustentabilidade não deve competir com qualidade.

Deve ser integrada à forma como a indústria mede, governa e melhora seus processos.

O que muda na prática para Qualidade, IT, ESG e Diretoria?

Historicamente, a indústria farmacêutica tem tomado decisões com base em pilares como:

  • Qualidade

  • Segurança do paciente

  • Eficácia

  • Conformidade regulatória

  • Integridade de dados

  • Continuidade de abastecimento

    A sustentabilidade ambiental passa a adicionar uma nova dimensão de decisão.

     

    Isso não significa que qualquer alternativa “mais verde” deva ser escolhida automaticamente. Significa que, quando duas alternativas técnicas são viáveis, seguras, conformes e robustas, a empresa deverá ser capaz de considerar também o impacto ambiental.

    Exemplo: Uma empresa precisa escolher entre dois modelos de execução de validação.

    Se ambos atendem aos requisitos de qualidade e compliance, qual deles está mais alinhado a uma estratégia moderna de sustentabilidade?

    Cada vez mais, essa pergunta deixará de ser apenas operacional. Passará a ser uma pergunta de governança, ESG e decisão executiva.

    Validação em papel: o elo esquecido da sustentabilidade

    Quando se fala em sustentabilidade na indústria farmacêutica, é comum pensar em:

    • Consumo de energia

    • Água

    • Matérias-primas

    • Solventes

    • Emissões

    • Resíduos produtivos

      Mas existe uma fonte de impacto menos visível: os processos documentais ainda baseados em papel.
      A validação é um dos exemplos mais claros.

       


       

      Em muitas empresas, cada projeto de validação ainda envolve:

      • Protocolos impressos

      • Anexos físicos

      • Evidências manuais

      • Revisões presenciais

      • Assinaturas em papel

      • Escaneamento de documentos

      • Arquivamento físico

      • Retrabalho por erro de versão

      • Baixa visibilidade do status

      • Alto esforço administrativo

        Esse modelo não consome apenas papel. Consome tempo, energia, espaço, transporte, horas técnicas e capacidade de gestão. Por isso, digitalizar a validação não é apenas uma iniciativa de eficiência operacional. É também uma decisão alinhada à sustentabilidade ambiental, à governança de dados e à modernização do Sistema da Qualidade Farmacêutico.

        A sustentabilidade será um novo critério de validação?

        Não parece ser a intenção do draft da OMS criar, neste momento, um novo eixo de criticidade regulatória específico para sustentabilidade dentro da validação.

        O ponto central é outro.

        A sustentabilidade deve ser considerada como uma dimensão adicional de decisão, governança e melhoria contínua, sem substituir os critérios tradicionais de qualidade, segurança do paciente, integridade de dados e conformidade regulatória.

        Na prática, isso significa que a empresa continuará precisando demonstrar que seus processos, equipamentos, utilidades e sistemas são adequados ao uso pretendido.

        Mas também precisará amadurecer sua capacidade de responder perguntas como:

        • Quanto papel é consumido nos projetos de validação?
        • Quantos documentos são impressos, assinados, escaneados e arquivados?
        • Quanto retrabalho documental é gerado por processos manuais?
        • Quantas horas técnicas são gastas em atividades administrativas?
        • Quanto tempo a empresa perde por falta de visibilidade do status da validação?
        • A área de ESG conhece o impacto ambiental dos processos de validação?
        • A Diretoria consegue justificar validação digital também como iniciativa de sustentabilidade?

         

        Essas perguntas ajudam a mudar a conversa.

        Validação digital deixa de ser apenas um tema de Qualidade ou IT. Passa a ser também uma pauta de ESG, eficiência operacional e estratégia corporativa.

        Por que dados ambientais exigem governança?

        O draft da OMS reforça a importância de métricas ambientais mensuráveis e de abordagens documentadas, auditáveis e baseadas em risco. O documento também conecta sustentabilidade a indicadores, monitoramento, documentação, dados e melhoria contínua.

        Isso é muito relevante para empresas reguladas.

        Afinal, uma métrica ambiental só gera valor se o dado for confiável.

        Se uma empresa declara redução de consumo, melhoria de eficiência ou menor impacto ambiental, precisa conseguir demonstrar:

        • Origem dos dados

        • Rastreabilidade

        • Controles aplicados

        • Responsáveis

        • Critérios de cálculo

        • Histórico de alterações

        • Evidências

        • Governança

          Esse raciocínio é familiar para quem trabalha com validação, qualidade e integridade de dados.

          Por isso, há uma conexão natural entre sustentabilidade, dados confiáveis e processos digitais.

          O GO!FIVE® transforma atividades de validação manual em processos digitais, rastreáveis ​​e colaborativos — abrangendo sistemas computadorizados, processos de fabricação, equipamentos, utilidades, infraestrutura, limpeza e projetos de tecnologia/automação.

          Protocolos, execução, evidências, revisões, aprovações, assinaturas eletrônicas, trilhas de auditoria e gestão do ciclo de vida — em um único ambiente rastreável.

          Reduz

          • Impressão e documentos em papel
          • Retrabalho
          • Tempo de aprovação
          • Fragmentação de arquivos
          • Dependência de controless manuais
          • Baixa visibilidade gerencial

          Fortalece

          • Rastreabilidade e padronização
          • Governança
          • Integridade de dados
          • Colaboração
          • Controle do ciclo de vida
          • Decisões baseadas em evidências

          Validação manual versus validação digital

          Em um cenário no qual sustentabilidade, dados e qualidade caminham cada vez mais juntos, a validação digital passa a ser um habilitador estratégico.

          Validação Manual Validação Digital com GO!FIVE®
          Protocolos impressos Protocolos digitais
          Assinaturas físicas Assinaturas digitais
          Evidências dispersas Evidências organizadas e rastreáveis
          Revisões manuais Fluxos colaborativos
          Arquivos físicos Repositório digital
          Controle de versão frágil Controle de versão estruturado
          Baixa visibilidade de status Acompanhamento em tempo real
          Retrabalho documental Padronização e controle
          Aprovações lentas Ciclos mais ágeis
          Alto esforço administrativo Mais foco em análise crítica

          A digitalização da validação não reduz apenas papel.

          Reduz esforço, acelera projetos, melhora governança e aumenta a capacidade da empresa de demonstrar conformidade com dados confiáveis.

           


           

          O impacto da validação digital na sustentabilidade

          A validação digital contribui para sustentabilidade em duas dimensões.

          A primeira é direta:

          • Redução de papel
          • Menos impressões
          • Arquivos físicos
          • Transporte de documentos
          • Retrabalho documental

          A segunda é estratégica:

          Aceleração da implementação de tecnologias que tornam a operação mais eficiente.

          Quanto mais uma fábrica investe em automação, sistemas, monitoramento, analytics, digital twins e inteligência artificial, mais projetos precisarão ser validados. O próprio draft da OMS menciona tecnologias digitais, monitoramento, analytics, modelagem, digital twins e inteligência artificial como elementos relevantes para sustentabilidade.

          Se esses projetos continuarem sendo validados de forma manual, a transformação digital avança mais lentamente.

          Se forem validados digitalmente, a empresa ganha velocidade, rastreabilidade e eficiência.

          Ou seja: a validação digital não apenas reduz o impacto ambiental da documentação de validação. Também ajuda a acelerar a implantação das tecnologias que tornam a operação mais sustentável.

          Termos importantes explicados de forma simples

          Termo-chave Definição
          PQS — Sistema da Qualidade Farmacêutico É o Sistema da Qualidade Farmacêutico. O ICH Q10 descreve um modelo de sistema da qualidade aplicável ao ciclo de vida do produto, integrando qualidade, gestão de riscos, melhoria contínua e responsabilidades da gestão.
          SbD — Sustentabilidade desde a Concepção Significa considerar sustentabilidade desde a concepção de processos, equipamentos, tecnologias e decisões operacionais.
          SSbD — Seguro e Sustentável desde a Concepção Abordagem que busca combinar segurança, sustentabilidade e desempenho desde o desenho da solução.
          Scope 1, 2 e 3 São categorias usadas para classificar emissões de gases de efeito estufa. O GHG (Greenhouse Gas) Protocol define:
          Scope 1: emissões diretas.
          Scope 2: emissões indiretas associadas à energia comprada.
          Scope 3: outras emissões indiretas da cadeia de valor.
          PMI — Intensidade de Massa do Processo Indicador que mede a quantidade total de material utilizado para produzir determinada quantidade de produto.
          E-Factor Indicador que relaciona a quantidade de resíduo gerado com a quantidade de produto obtido.
          Validação digital É a execução e gestão de atividades de validação em ambiente digital, com controle de documentos, evidências, revisões, aprovações, assinaturas eletrônicas, rastreabilidade e trilha de auditoria.

          Perguntas que empresas farmacêuticas deveriam fazer agora

          Se a sustentabilidade ambiental está entrando na agenda regulatória e estratégica da indústria farmacêutica, algumas perguntas precisam ser feitas:

          • Minha empresa ainda valida em papel?
          • Quanto papel os projetos de validação consomem por ano?
          • Quanto tempo é gasto com impressão, assinatura, escaneamento e arquivo físico?
          • Quantos atrasos ocorrem por falta de visibilidade do status da validação?
          • A área de ESG conhece o impacto dos processos documentais regulatórios?
          • A área de IT entende que validação digital pode apoiar compliance e sustentabilidade ao mesmo tempo?
          • A área de Qualidade consegue justificar validação digital como iniciativa de governança e eficiência?
          • A Diretoria ainda vê validação digital como custo ou já como alavanca estratégica?

          Essas perguntas ajudam a reposicionar a validação digital. Deixa de ser apenas uma ferramenta operacional.

          Passa a ser uma iniciativa com impacto em:

          • Compliance

          • Produtividade

          • Governança

          • ESG

          • Maturidade digital

            FAQ: Validação e Sustentabilidade

            1A sustentabilidade ambiental será um novo critério de validação?
            Não parece ser a intenção do draft da OMS criar, neste momento, um novo critério de criticidade regulatória para validação. A sustentabilidade deve ser vista como uma dimensão adicional de decisão, governança e melhoria contínua, sem substituir qualidade, segurança do paciente, conformidade regulatória e integridade de dados.
            2Qual é a relação entre validação em papel e sustentabilidade?
            A validação em papel pode gerar alto consumo de papel, impressão, arquivos físicos, retrabalho, transporte de documentos, revisões manuais e maior esforço administrativo. A validação digital reduz esses impactos e melhora a rastreabilidade.
            3A validação digital ajuda em ESG?
            Sim. A validação digital pode apoiar metas ambientais ao reduzir papel e recursos operacionais. Também fortalece o pilar de governança, pois melhora controle, rastreabilidade, integridade de dados e visibilidade gerencial.
            4Por que ESG deveria se importar com validação?
            Porque validação manual é um processo corporativo intensivo em documentos, recursos, tempo e controle. Se ESG busca reduzir impactos ambientais e fortalecer governança, a validação digital é uma iniciativa concreta, prática e defensável.
            5Como o GO!FIVE® contribui para sustentabilidade?
            O GO!FIVE® digitaliza o ciclo de validação, reduzindo dependência de papel, controles manuais e arquivos físicos. Ao mesmo tempo, fortalece evidências, trilha de auditoria, assinaturas eletrônicas, rastreabilidade e governança digital.
            6A validação digital é relevante apenas para CSV?
            Não. Embora CSV e CSA sejam áreas importantes, a validação digital também pode apoiar validações de processos, equipamentos, utilidades, limpeza, infraestrutura e projetos de tecnologia. O ponto principal é transformar atividades manuais e documentais em fluxos digitais, rastreáveis e eficientes.

            Conclusão: sustentabilidade também exige validação digital

            A proposta da OMS reforça uma direção clara: sustentabilidade ambiental tende a se tornar parte cada vez mais relevante da maturidade operacional, da governança de dados e da tomada de decisão na indústria farmacêutica.

            Isso não significa abandonar os pilares tradicionais da qualidade.

            Qualidade do produto, segurança do paciente, eficácia, integridade de dados, conformidade regulatória e continuidade de abastecimento continuam sendo prioridades fundamentais.

            Mas significa reconhecer que a sustentabilidade também precisa ser medida, governada e incorporada aos processos.

            E, nesse contexto, a validação em papel se torna cada vez mais difícil de justificar.

            Validação Tradicional

            Organizações que continuam a depender de protocolos impressos, assinaturas manuscritas, revisões manuais e arquivos físicos mantêm um modelo de validação que é:

            • Mais lento
            • Menos transparente
            • Mais intensivo em recursos
            • Menos alinhado às atuais expectativas de sustentabilidade
            Um modelo que exige mais tempo, recursos e esforço manual.

            Validação Digital

            A validação digital oferece uma oportunidade prática para:

            • Reduzir o impacto ambiental
            • Aumentar a eficiência operacional
            • Fortalecer a governança
            • Acelerar projetos regulados
            Uma abordagem mais eficiente, transparente e sustentável para a validação.

            O GO!FIVE® apoia empresas de ciências da vida nessa transição, transformando processos de validação manuais em fluxos digitais, rastreáveis e mais sustentáveis.

            Sua empresa ainda valida em papel?

            Se sustentabilidade ambiental está entrando na agenda estratégica da indústria farmacêutica, a validação digital também precisa entrar.

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            Author
            Artigo escrito por

            Lílian Ribeiro

            Lílian Ribeiro é engenheira química, tecnóloga em sistemas biomédicos e possui pós-graduação em Sistemas de Gestão Integrado e em Data Science e Business Analytics. Ela possui mais de uma década de experiência técnica e comercial nas indústrias de alimentos, farmacêuticas e de saúde. Como defensora da validação sem papel, Lílian é entusiasta em introduzir eficiência e inovação nas empresas de ciências da vida. Sua experiência é fundamental em projetos de validação e qualificação, abrangendo validação digital, ERP, EQMS, automação (PW) e qualificação de infraestrutura de TI.

            Author Section
            Author
            Artigo revisado por

            Silvia Martins

            Silvia é uma engenheira elétrica brasileira e empreendedora com mais de 23 anos de experiência na indústria de Ciências da Vida, atuando nos setores de biotecnologia, farmacêutico, dispositivos médicos e cosméticos.

            Possui experiência internacional com treinamento especializado em GAMP5® e FDA 21 CFR Part 11 na Inglaterra, validação de SAP® na Alemanha e integridade e governança de dados na Dinamarca. Residente na Holanda, Silvia atua como CEO e cofundadora da FIVE Validation, uma empresa dedicada a simplificar a conformidade regulatória. Ela é a visionária por trás do GO!FIVE®, a plataforma digital de validação, e também é responsável pelo conteúdo da plataforma de treinamento FIVE Academy

            Seu trabalho se concentra em acelerar e otimizar processos com robustez, rastreabilidade e conformidade, apoiando empresas na integração da cultura ESG, especialmente nos pilares Social (S) e Governança (G). Além de sua atuação corporativa, Silvia também está disponível para conectar empresas de qualquer lugar do mundo com a Pastoral do Menor de Sorocaba, no estado de São Paulo, Brasil, uma instituição alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e reconhecida por seu impacto social, beneficiando diariamente mais de 1.400 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.